Tranforme o armazém

Transforme o armazém

Não há dúvidas de que construir edifícios sustentáveis é essencial para o desenvolvimento do País, mas o que fazer com os prédios já prontos? Permitir que continuem impactando negativamente na sociedade e no meio ambiente? Evidente que não. Por esse motivo, é preciso analisar os armazéns ou os centros de distribuição e criar medidas que reduzam os impactos da operação, como campanhas para conscientização da equipe quanto ao consumo eficiente de energia, de coleta seletiva de resíduos sólidos e até instalação de bibliotecas para formação cultural dos colaboradores. Exatamente o que fez a Kimberly Clark em seu centro de distribuição, localizado em Mogi das Cruzes, interior de são Paulo.

 

Lixo no lugar certo

 

Fabricante de produtos descartáveis, como papel-toalha, fralda, papel higiênico, entre outros itens, a Kimberly Clark superou a limitação de um edifício que não foi construído para ser sustentável e desenvolveu políticas para torná-lo mais eficiente. Passou a reciclar ou descartar corretamente seus resíduos sólidos, distribuindo pelo CD lixeiras de coleta seletiva. Instruiu os operadores a recolher e destinar corretamente as embalagens utilizadas ou rejeitadas no processo de descarga e acondicionamento de produtos. Esses itens são separados por qualidade: os que ainda conseguem ser reaproveitados são enviados à fábrica, o restante é separado por categoria, prensado e recolhido por uma empresa especializada, que recicla ou faz a destinação correta.

O exemplo é ótimo, mas só vale a pena porque, além de coletar e descartar corretamente o lixo de seu CD, a Kimberly Clark inspeciona as empresas que lidam com esses resíduos. Segundo Daniele Guimarães, gerente de distribuição e responsável pelo CD, o departamento de qualidade da empresa mantém avaliações periódicas dos fornecedores para certificar-se de que os materiais estão recebendo o destino planejado.

O projeto Destruição sustentável, implementado no armazém da Art-services, operador logístico especializado em materiais promocionais, contrata apenas empresas certificadas para a coleta dos resíduos. Fernando Guazzelli, coordenador de marketing da empresa, conta que o projeto elimina dos porta-paletes as embalagens promocionais ociosas, como displays e papéis de forração utilizados no ponto de venda. “O acompanhamento é feito por meio de um sistema on-line que alerta quando o material pode ser descartado”, explica Fernando. “Quando isso ocorre, contatamos a empresa proprietária do material para que autorize o descarte.” Parte é reaproveitado, como lâmpadas, estruturas de ferro, etc. Enquanto o restante (papelão, plástico, alumínio, etc.) é reciclado.

Buscar parcerias com organizações ou empresas especializadas também pode ser uma alternativa para o lixo produzido pelo armazém. Os dois centros de distribuição da varejista Magazine Luiza, no interior de São Paulo, mantêm parceria com o Instituto Plastivida para o descarte correto de EPS (isopor), proveniente de embalagens de eletrodomésticos, eletrônicos, entre outros produtos. O material é separado dentro dos CDs e recolhido pelo instituto.

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Energia, uso eficiente

 

Quando o assunto é redução de energia, toda empresa parece ter a solução na ponta do lápis. No entanto, implantar medidas sem avaliar os impactos à operação podem causar danos à produtividade. Para não correr esse risco, a Volvo Parts, empresa de peças de reposição do Grupo Volvo, está investindo em planejamento para alcançar seu objetivo de reduzir, nos próximos três anos, 10% do consumo de energia elétrica. Segundo Liane Reifur, da área de sustentabilidade da empresa, há um estudo em andamento que definirá o sistema de iluminação mais econômico para o armazém. O projeto só entrará em prática quando ficar provado que não prejudicará a qualidade do trabalho.

A Kimberly Clark instalou em seu CD um programa de roteirização de empilhadeiras, dividindo os 70 mil m² de área construída em três pequenos armazéns. Com mais de 20 mil m², cada mini armazém possui mix completo dos itens, além de equipe e equipamentos próprios. Por meio de um módulo de WMS (warehouse management system, sistema de gerenciamento de armazéns), desenvolvido exclusivamente para a empresa, são criados roteiros para as empilhadeiras. A solução funciona da seguinte forma: o equipamento recebe a solicitação de pedido, o operador se dirige até o endereço e faz a separação; automaticamente o sistema já calcula onde está a máquina mais próxima e envia o pedido. A medida reduz o consumo de energia com carga de bateria, já que não há gastos desnecessários.

A temperatura dos armazéns é outra vilã do consumo de energia, principalmente entre os prédios que não foram construídos para aproveitar os recursos naturais. A rede Magazine Luiza encontrou uma solução para seu centro de distribuição de Louveira, interior de São Paulo. Revestiu a cobertura do prédio com uma manta interna que equilibra a temperatura em cinco graus. Segundo a rede varejista, essa medida descarta a utilização de aparelhos de refrigeração.

Fique atento

Os colaboradores devem ser corresponsáveis pela redução do consumo de energia. Para isso, deve-se apostar em campanhas, trançar metas por equipe e apresentar os resultados mensalmente, como faz a Honda. Com três centros de distribuição no Brasil, a montadora utiliza os canais de comunicação interna para ensinar a utilizar racionalmente a energia disponível nos prédios.

 

Cultura no trabalho

 

A sustentabilidade não se limita apenas à redução de impactos no meio ambiente. Implica se preocupar com a sociedade e com a formação dos indivíduos, propiciando qualidade de vida e melhores condições de trabalho. Para os centros de distribuição, isso significa criar um ambiente em que o colaborador possa se sentir bem e, principalmente, evoluir como cidadão e profissional.

Segundo Paulo Turci, gerente de operações da Volvo Parts, todos os seis centros de distribuição, espalhados pela América do Sul, mantêm áreas destinadas à formação cultural do colaborador. No Brasil, onde está localizado o maior CD, com 15 mil m², há uma biblioteca com cerca de 50 m², área de leitura e serviço de empréstimo de livros. O acervo foi montado por meio de doação. “Eu mesmo sempre procuro doar os livros que já li e estão em casa parados”, conta Paulo.

Já a Kimberly Clark juntou preocupação com o meio ambiente, interação entre equipes e qualidade de vida: desenvolveu em seu CD uma horta de legumes e vegetais orgânicos. O projeto tem participação dos colaboradores e a produção abastece o restaurante da empresa.

Esses exemplos mostram como grandes empresas mudaram a gestão de seus centros de distribuição a favor da sustentabilidade. Faça o mesmo em sua operação, avalie o que pode ser mudado, aplique metas de redução para toda a equipe.

Reinaldo A. Moura

Fundador do Grupo IMAM em 1979 (Instituto IMAM, IMAM Editora e IMAM Consultoria) e Diretor Técnico das Missões de Estudo da IMAM. 50 anos de experiência profissional, em mais de 100 empresas. Pioneiro na introdução conceitos no Brasil, tais como: MAM,  Intralogística, Kanban, Housekeeping/5S, TPS/JIT/Lean/Toc - Treinamento e Assessoria. Publisher da Revista LOGÍSTICA desde 1980 (300 edições). Formado em Engenharia Industrial (FEI), em Engenharia de Segurança do Trabalho (FEI) e mestrado em Engenharia de Produção (Poli-USP). Ex-professor universitário: FEI, UMC, Mackenzie, Mauá etc.

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