KYOSEI em Projetos – Espírito de Cooperação

Por Eduardo Banzato*

 

FABRICANTES, EMPRESAS DE SERVIÇO, DE TECNOLOGIA, CONSULTORIAS, ESCOLAS, PROFISSIONAIS AUTÔNOMOS, ENTRE OUTROS, INTEGRAM ATUALMENTE UM “ECOSISTEMA” DE PROJETOS ONDE FALTA MUITA COOPERAÇÃO NA BUSCA DAS SOLUÇÕES IDEAIS.

Títulos, “rankings”, classificações, desafios, escolhas... a sociedade está constantemente nos levando a COMPETIR, saber ganhar e buscar novos desafios e saber perder, com a cabeça erguida, buscando a próxima oportunidade.

Assim, somos treinados a fazer escolhas e, consequentemente, ganhar e perder... a simples leitura deste artigo já estabelece que você perdeu a oportunidade de estar fazendo outra coisa qualquer, mas ganhou a oportunidade de identificar novas possibilidades.

E a nova possibilidade que é destacada neste artigo é a COOPERAÇÃO!

A partir do momento que você NÃO compete a qualquer custo você, de certa forma, já está cooperando. Você sabe que qualquer que seja o jogo/competição, somos levados a seguir determinadas regras: não roubar, não subornar, não mentir, não matar... estas e outras regras já caracterizam uma certa cooperação entre os competidores.

Parece óbvio, mas os limites éticos e morais que ajudam a estabelecer estas regras variam de pessoa para pessoa.

 

COMPETIR A QUALQUER CUSTO OU COOPERAR?

30 anos observando decisões corporativas e seus resultados em mais de 300 projetos me levaram a escrever este artigo e compartilhar os impactos da cooperação ou da falta dela, na busca das “melhores” decisões.

Para facilitar a compreensão destaco, apenas como referência de análise, um projeto logístico que envolveu muitas empresas e profissionais (investimento de R$ 130 milhões). Projetos como este implicam em escolhas que podem agradar alguns e desagradar outros em função de seus diferentes interesses.

A tabela a seguir apresenta alguns dos possíveis interesses (negativos e positivos) das partes envolvidas em projetos desta natureza e suas diferentes posturas em relação a cooperação:

Postura Negativa e Positiva

 

Nota: Obviamente, não existem projetos onde todas as pessoas tenham postura negativa, a maioria dos profissionais são bastante cooperativos, mas vale destacar que é muito comum encontrar profissionais com posturas negativas em quase todos os projetos. Até agentes externos, que não integram o time de projeto, muitas vezes podem influenciar negativamente as pessoas do time, com uma postura muito distante da COOPERAÇÃO.

 

KYOSEI – ESPÍRITO DE COOPERAÇÃO

A palavra japonesa “KYOSEI” (KYO: Trabalhar Juntos e SEI: Vida) significa basicamente "viver e trabalhar juntos para o bem comum, permitindo que a prosperidade da cooperação seja mútua e coexista em um ambiente de competição saudável e justa".

A origem do Kyosei se deu a partir das análises biológicas de concorrência e relações entre as espécies e, obviamente, este contexto pode ser levado para o ambiente corporativo.

Quem adotou o Kyosei como estratégia e filosofia corporativa, em 1987, quando o IMAM já realizava suas primeiras missões ao Japão, foi a CANON. Na sequência, outras empresas japonesas começaram a adotar e, em 1994, pude conhecer também a abordagem da aplicação do Kyosei praticado na TEPCO - Companhia de Energia Elétrica de Tóquio.

ebook

Nota: Sugiro o e-book acima para aqueles que desejam compreender um pouco melhor a filosofia japonesa associada à cooperação.

 

O DESAFIO DA COOPERAÇÃO EM PROJETOS

Existem ambientes corporativos que, mesmo sem utilizar a palavra Kyosei, já estão adaptados a esta realidade... você percebe na atitude das pessoas, na participação das mesmas em reuniões, no apoio que oferecem aos seus fornecedores, na honestidade em se relacionar com outros profissionais, no apoio que cada integrante do time recebe em caso de erros, na comemoração dos acertos e até no relacionamento com os seus concorrentes. Sim, concorrentes!

Mais Cooperação! Ainda temos um enorme desafio cultural por vencer e não é apenas no Brasil...

Atuo na IMAM Consultoria há 30 anos e nunca tive nenhum problema em destacar as qualidades de “concorrentes”, tais como Accenture, EY, Ilos, Integration, Lean Institute, KPMG, PWC, entre tantos outras ótimas empresas e profissionais autônomos que, em determinados momentos concorrem conosco de forma legítima e digna e, em outros momentos, cooperam conosco na busca de uma melhor solução.

Projete esta realidade agora em todos os integrantes de um grande projeto... empresas de tecnologia, consultorias, escritórios de arquitetura, advocacias, fornecedores, operadores, transportadoras, startups... Percebe?

O desafio é grande pois nossa formação e pressão por competitividade, por vezes, pode limitar nossa natureza cooperativa.

COMPETIR E COOPERAR são dois lados de uma mesma moeda e minha tentativa, ao escrever este artigo, é tomar uma iniciativa no sentido de contribuir para um futuro com mais KYOSEI.

Sucesso e vamos em frente!

 

Eduardo Banzato

Diretor do Grupo IMAM, com especialidade em Supply Chain, Intralogística, Manufatura e Gestão Organizacional (Inovação Disruptiva).

30 anos de experiência profissional em mais de 300 projetos.

Formado em Engenharia Industrial e pós-graduado em Administração de Empresas, com especialização em TOC, LEAN, 6SIGMA e Desenvolvimento Organizacional.

Presidente do Instituto IMAM (2009-2012);

Mentor de Academias Corporativas (Supply Chain e Manufatura);

Atua como instrutor e “coach” em programas de desenvolvimento profissional e coordena visitas técnicas internacionais (mais de 15 países).

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