Fator Ergonômico na MAM*

Categoria: Logística

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Todos nós sabemos que o objetivo de toda e qualquer empresa é o lucro, hoje, amanhã e sempre. O lucro é importante por uma questão de sobrevivência, continuidade dos negócios e remuneração dos acionistas. Para Peter Drucker, “o primeiro dever do negócio é sobreviver, e o princípio guia de economia das empresas não é a maximização das utilidades, é evitar perdas”.
As perdas devem ser combatidas a todo momento, porém, muitas vezes, são inevitáveis e poderão estar relacionadas com as inadequações existentes nos ambientes laborais com as sistemáticas de trabalho adotadas pelos colaboradores ou pelo sistema de gestão.
Nesse contexto, o conhecimento da Engenharia Humana que engloba aspectos de ergonomia, segurança e higiene no trabalho tem um papel fundamental na compreensão das capacidades e das limitações do elemento humano no seu ambiente de trabalho.
O ambiente na Logística é formado, entre outros, por elementos físicos, químicos, ergonômicos, sociais e culturais. Com maior ou menor intensidade, esses elementos poderão oferecer riscos.
A percepção dos riscos está relacionada com a capacidade que os profissionais possuem para identificar os perigos e reconhecer os riscos atribuindo-lhes significados e valores. O risco percebido varia de pessoa para pessoa e sua reação ao perigo decorre de uma série de influências sociais transmitidas por amigos, pela família, por colegas de trabalho, personalidades públicas e mídias sociais. Dentro das empresas, os colaboradores convivem com um macroambiente de trabalho e diversos microambientes, cada um com seus riscos específicos e diferentes.
Embora muitas empresas tomem o máximo de cuidado criando regras e procedimentos rigorosos em termos de Engenharia Humana, acidentes e incidentes poderão ocorrer muitas vezes em função de características, crenças e valores do profissional humano que atua no local.
Conhecer esses valores e corrigi-los através de orientações, treinamentos e feedback contínuos aos colaboradores em todos os níveis é fundamental para a empresa atingir seus objetivos.
É importante atentar para o fato de que as pessoas têm algumas características marcantes, que na Logística ficam evidentes, por exemplo: prefere escolher livremente a sua postura física para o trabalho mesmo sabendo que ela pode ser lesiva, tolera mal tarefas com tempo apertado, é compelido a acelerar a cadência quando estimulado através de compensações, não levando em conta os limites de resistência de seu sistema musculoesquelético, organiza-se coletivamente para gerenciar a carga de trabalho, sente-se bem quando solicitado a resolver problemas ligados à execução das tarefas e não gosta de mudar hábitos, pois gera desconforto.
Muitas vezes o colaborador sabe que aquela situação é de risco, porém, como nunca aconteceu um incidente ou acidente, “já acostumou com a paisagem” e mudar hábitos incomoda, se expõe ao risco da atividade.
Na logística é esperado que a força física seja um diferencial para algumas atividades, e dentro do contexto interação de indivíduos uns com os outros, é comum observar os mais jovens desafiando os mais velhos dizendo que eles não têm força para realizar as tarefas exigidas. Esse comportamento ocorre em função da força muscular ser maior em homens na faixa etária de 20 a 30 anos e também pela falta de conhecimento da fragilidade do corpo humano.
Geralmente, trabalhos pesados e que exigem mais mobilidade são transferidos para os mais jovens. Por causa desses desafios é comum encontrarmos, na logística, jovens abaixo dos 28 anos com hérnia de disco.
É bom lembrar que a coluna vertebral é um dos pontos fracos do organismo humano, é uma estrutura propensa à degeneração precoce e os pesos acima de 23 kg representam riscos para ela. Puxar ou empurrar paletes acima de 650 kg usando transpaleteira manual é uma situação de risco para as diversas articulações do corpo humano. Deve-se ficar atento para os fatos de que esses paletes sejam puxados ou empurrados com transpaleteira elétrica.
Um comportamento comum é o uso paleteiras manuais como patinetes. Existem logísticas em que essa prática é tolerada pelos seus gestores. Os acidentes, quando ocorrem, são de graves consequências.
É importante ressaltar que os riscos estão presentes com maior ou menor intensidade nas diversas áreas que compõem a logística, ou seja, na recepção de mercadorias, na armazenagem, na movimentação de materiais, nos equipamentos, na separação de pedidos, na expedição e outras.
Dentro de um contexto de gerenciamento da atividade, é importante que os gestores tenham em mente que a máquina humana é complexa, portanto, compreender essa máquina, seus recursos, valores, restrições e as interligações dos diversos elementos que compõem o fator humano da logística (sistema gerencial, equipamentos, instalações e pessoas).

Antonio Franscisco Abrantes

Especialista em Projetos de Ergonomia na IMAM Consultoria, com especialidade em Arranjo Físico e Movimentação de Materiais. 30 anos de experiência profissional, com mais de 50 projetos, empresas tais como Phillips Brasil, Luk, Recall, Bombril, Vipal, entre outras. Formado em Engenharia de Produção, com pós-graduação em Segurança no Trabalho e em Ergonomia Aplicada ao Trabalho. Atua também como instrutor da IMAM em treinamentos de profissionais e é especialista para implementação de soluções em Ergonomia e realização de Análises Ergonômicas do Trabalho.

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